quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Vigília

Cochilei na bilioteca com um livro ao colo, os pés em cima da outra cadeira. Sonhos ruins perturbavam, no meio-sono, no estado de vigília. Tremeu o lado esquerdo do meu corpo, despertei, mas não consegui acordar. Como se um abraço amarrasse meu corpo, uma voz no meu ouvido. Rostos e músicas estranhas me rodeavam, o livro era 'Longa Jornada Noite Adentro'. Acordei, enfim, com uma frase na cabeça, como que decorada, aprendida: 'Na porta da minha alma há dois anjos com cimitarras de fogo'.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Volta

Todos os dias, em um cruzamento da cidade, onde fica uma mulher pedindo dinheiro, obesa, desajeitada. Ao fechar o farol ela se apresenta apenas com gestos cerimoniais, sem falar nada, mas não é muda. Passa com a mão estendida, de carro em carro, colhendo moedas. Ela é simpática, conversa com quem passa, lunar, alheia. Contrasta com sua calma o mau humor dos motoristas, a maldade dos taxistas que chamam ela de louca.
Um dia a questionaram como era que ela vivia, se davam aquelas moedas, se sustentavam uma casa. Ela dizia que pagavam mal o ônibus, um lanche. E por que voltar todo dia? É que um dia, ela dizia, um moço a chamou de linda. E ela vem todo dia saber se ele um dia volta.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Treslados

Uns tomam alegria, outros desastre. Eu tomo assombro. Três vezes ao dia, em conta-gotas cavalares. Recebo uma semioverdose que nem mil avemarias tirariam do meu corpo. Até que se desfaz em neblina o sorriso da anfetamina, e vou trabalhar sozinho - como se vem ao mundo, como se morre. Irradiado de palavras, sigo, pela avenida, de segunda a sexta, irradiado de palavras. Nem que tivesse três corações, dois cérebros, um pulmão. Nem que tivesse um livro embaixo do braço. Uns tomam anfetamina, outros adrenalina. Há aqueles que tomam sintéticos. Eu, de domingo a domingo, três ou quatro vezes ao dia, tomo assombro.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Mais rapidinhas - Depois um cigarro e uma pizza

Quem trabalha em editora sabe: autor bom é autor morto. Principalmente após 70 anos.

Má fase é quando você engasga com saliva, toma água pra desengasgar e acaba engasgando com a água.

Um golpe de direita dói tanto quanto um golpe de esquerda. Pergunte a um boxista.

A vida é um dom tão raro pra se desperdiçar nas aulas da faculdade...

O que é civilização?

Às vezes fico com a casmurra impressão de que só existe Machado de Assis na Literatura Brasileira.

A alegria de se entrar na faculdade não se compara à alegria de se sair dela.

Emagreça. Pergunte-me como.

Literaura Gay, na minha opinião, se enquadra na mesma categoria que Romance Espírita e Auto-ajuda Empresarial.

Tantos documentos e folhas na minha mesa que eu já tô quase endossando o café.

É um contrassenso chamar-se LER-QI uma organização onde os componentes não leem nem têm QI

Quando faz frio assim, eu fico pensando no pessoal que não tem onde morar e vive na rua.

Você não sabe o quanto me dói não ter um colega de trabalho pra almoçar comigo.

Eu sou Lucas. Julio Cortázar é meu alterego.



[mais uma foto, pra provar que sou marxista, de Groucho]


quinta-feira, 30 de julho de 2009

Rapidinhas da semana (afinal, pra que ficar enrolando?)

Quando você escreve um texto, engaveta-o, desengaveta, relê, tenta alterar
algo mas não consegue, é sinal que ele não mais te pertence.

Os estudantes de Letras usam Bakhtin pra tudo, como se fosse um remédio,
como se fosse Bactrim.

Será que nesse controle remoto há um botão que faça aparecer alguém pra
conversar comigo?

Who's bad now, Michael?

Cena desoladora pós-desobrigatoriedade de diploma: o rosto dos estudantes
da Faculdade Casper Líbero, às 11 da noite.

Jornalista faz crítica literária em jornal sem ter diploma em Letras e
reclama qdo tiram a obrigatoriedade do diploma deles...

Vou entrar na moda hindu. Pra começar, tomando um Shivas Regal.





[pra encerrar, uma foto, sem motivo]



segunda-feira, 13 de julho de 2009

Maria, um blogue esquecido

Meu primeiro Blogue foi uma união com dois amigos da faculdade, e era o Maria, que anda abandonado, ninguém posta faz mais de ano. O nome fui eu quem deu. Maria é nome de mulher.

Um dos textos que eu postei na época se chama Dorinha, que segue:

Dorinha tinha lá uns putos no bolso. Exausta...
Viu uma padaria e entrou pois carecia de comer, por instinto ou para fins de curar ressaca. Da porta sentia o cheiro matinal do pãozinho quente e entrou na fila. Seu corpo ainda recendia ao cheiro do pecado do ontem-à-noite.
O baile-funk ainda martelava seus ouvidos, e aí ela se deu conta de que o pãozinho agora era vendido a quilo. Agora não duvidava de que o velho da padaria fizesse ela mastigar pedra pra poder ganhar mais dinheiro. E suas moedas, dos trocos, tão poucas...
- Me vê três cigarros soltos e uma caixinha de fósforo.
E Fiat Lux. Assim foi, desjejuando cigarros pelo caminho todo até em casa, onde, sem banho e sem pão, dormiu até as seis da tarde com martelos na cabeça.




Mas do que mais sinto falta nesse blogue é da companhia dos caras, o Roque e o Pato, grandes poetas, caras inteligentes, admiro-os muito, e caso você queira, pode acessar seus blogues clicando no nome dos caras.

Eles escrevem muito melhor que eu, eles devem sentir mais, e com certeza já leram muito mais, pra que pudessem atingir tanta fineza no escrever.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Quem é esse cara?

Me perguntaram quem é o Rogerio Skylab, e por que eu falo tanto dele nas conversas.

Melhor que responder é pedir para a pessoa ouvir a música dele, ou melhor, ver sua performance ao vivo.

De qualquer forma:


Rogério Skylab nasceu em 1968 (ou 58, sei lá), no Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira musical em 1992, e desde então, vem compondo canções que mesclam a cultura trash ao rock decadente. O humor e o nonsense sempre fizeram parte das composições de Skylab, aliado à sua excêntrica performance de palco. Ele começou a ficar famoso após ir sucessivas vezes ao Programa do Jô, e ao se tornar, cada vez mais, um nome circulante em sites de relacionamento e downloads na internet. O cantor e compositor costuma vender seus CD's independentes em bancas de jornal e a fazer shows em lugares inóspitos dos grandes centros urbanos para levar a sua não-mensagem a quem não tiver nada melhor a fazer e resolver ir a seu show. O som de Skylab remonta à cultura trash brasileira dos anos 80 com pitadas de ultra-romantismo bem-humorado e, na maioria das vezes, escatológico. A frequência dos temas relativos à cultura de massa, aos programas televisivos e aos dramas de classe-média o tornam uma celebridade anti-cult, que não faz a mínima questão de esconder uma personalidade sequelada por indícios de alienação mental (loucura), mesmo que, às vezes, isso pareça teatro puro. Como tradutor da cultura da grande mídia e das grandes celebridades, esta personalidade psico-neurótica de Skylab também pode ser vista como falsidade, porém sem querer ser levado à sério como o Projac quer, muito até pelo contrário. O escatologismo e o grotesco nas canções Skylabianas são alegorias da liberdade para se pensar, cantar e dizer a merda que bem quisermos, libertando-nos de qualquer comedimento moralista; talvez por isso Skylab atraia tanto o público jovem, saudosista do kitsch dos anos 80 brasileiro (de ursinho blau-blau, Palhaço Bozo, o yin-yang de Xuxa com Pelé e afins). Remontando aos textos de Rabelais, podemos defender que o cocô liberta de muita coisa, entre outras, da prisão de ventre. Canções como 'Carrocinha de cachorro-quente', 'Você é feia', 'Cu e boca', mostram nossos recalques, que achamos que não faz sentido e que deve ser rapidamente apagado da cabeça, de tão feio que é (imagina, dizer que cu e boca é tudo a mesma coisa...).



[o site dele: clique

e aqui, um vídeo dele cantando & encenando]





sexta-feira, 3 de julho de 2009

Novíssimo Lexiglossário Propedêutico do Lucas


Separei para vocês duas entradas do meu dicionário:




Alefabetosm. 1. pessoa que sofre de Alefabetismo, ou Literacia (q.v. Literacia). 2. Diz-se da pessoa que esquece com frequência o nome das coisas, e que se comunica valendo-se excessivamente dos termos "negócio" e "coisa".



Literaciasf. 1. primeiro estágio do Mal de Aspargos, onde se dá o esquecimento da denominação de objetos e sentimentos. 2. perda da memória linguística, agramaticalismo progressivo.


rolou uma identificação?



[abaixo, um nanquim sobre papel + Photoshop de minha autoria]