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segunda-feira, 18 de julho de 2011

The Canary Murder Case II

É terrível, minha tia me convida para o seu aniversário, compro de presente um canário pra ela, chego lá não tem ninguém, meu calendário é defeituoso, na volta o canário canta aos montes no bonde, os passageiros entram em estado de cólera, tiro o bilhete do animal para que o respeitem, ao abaixar-me dou com a gaiola na cabeça de uma senhora que me mostra os dentes, chego em casa banhado de alpiste, minha mulher fugiu com o escrivão, caio duro no saguão e esmago o canário, os vizinhos chamam a ambulância e o levam em uma maca, fiquei a noite inteira jogado no saguão comendo o alpiste e ouvindo o telefone na sala, deve ser minha tia ligando, e liga pra que eu não me esqueça do seu aniversário, ela sempre conta com o meu presente, minha pobre tia.


In: CORTAZAR, Julio. Ultimo Round. 3ª ed. Madrid: Siglo Veintiuno Editores, 1972.. (tradução nossa).


terça-feira, 5 de julho de 2011

Bariloche

Penso que melhor se forma uma família para tentar matar a orfandade de que cada um sofre desde que nasce. Por isso me sentia tão só quando via como mamãe levava sopa e pão ao velho e ele não a olhava nos olhos, muito concentrado na chaminé como que imaginando sua própria fogueira, tentando se acostumar às chamas ainda que fosse com os olhos que negava à mamãe. Todos nos sentíamos muito sós.

(...)

Neuman, Andrés. Bariloche. Barcelona: Anagrama, 1999. Colección Compactos. p. 113. (tradução nossa)