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sexta-feira, 7 de março de 2014

O casamento do céu e do inferno

[Chapa 11]

Os poetas da Antiguidade atribuíam a condição de Deuses ou Gênios a todas as coisas vivas, chamando-as por nomes e adornando-as com as propriedades dos bosques, rios, montanhas, lagos, cidades, nações, e o que mais seus numerosos e amplificados sentidos podiam perceber.

E de modo especial, estudavam a índole de cada cidade ou país, colocando-a sob a proteção de sua divindade mental.

Até que se formou um sistema do qual alguns se aproveitaram e escravizaram o vulgo, tentando dar forma às deidades mentais ou abstraí-las de seus objetos; assim surgiu o Sacerdócio.

Extraindo formas de cultos das lendas poéticas.

Até finalmente proclamarem que os Deuses haviam ordenado tais coisas.

E foi assim que os homens esqueceram que Todas as divindades residem no coração humano.

  

Blake, William. O casamento do céu e do inferno. Trad.: Ivo Barroso. São Paulo: Hedra, 2008. p. 39.


segunda-feira, 19 de julho de 2010

Sobre a Glória

Não há exercício intelectual que não resulte em fim inútil. Uma doutrina é no início uma descrição verossímil do universo; passam-se os anos e é um simples capítulo – quando não um parágrafo ou um nome – da história da filosofia. Na literatura, essa caducidade final é ainda mais notória. O Quixote – disse-me Menard – foi antes de tudo um livro agradável; agora é uma ocasião de brindes patrióticos, de soberba gramatical, de obscenas edições de luxo. A glória é uma incompreensão e talvez a pior.

 BORGES, Jorge Luis. "Pierre Menard, autor del Quijote" in: Ficciones. Buenos Aires: La Nación, 1995. p. 68. (grifo nosso, tradução nossa).

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Oração a São Jorge

Um poema, como pode-se perceber:

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge
para que meus inimigos,
tendo pés não me alcancem,
tendo mãos não me peguem,
tendo olhos não me vejam,
e nem em pensamentos eles possam me fazer mal.

Armas de fogo o meu corpo não alcançarão,
facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar,
cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar.

(...)
Glorioso São Jorge, em nome de Deus,
estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas,
defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza,
e que debaixo das patas de seu fiel ginete
meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós.

Assim seja com o poder de Deus,
de Jesus
e da falange do Divino Espírito Santo.
São Jorge Rogai por Nós.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Estudo de Filologia

Possivelmente a decifração do que muitos entendem como o mistério bíblico (arcana para alguns, cabala para outros), subjaz na leitura das linhas-viúvas do códice original editado por Gutenberg no século XV.

A estrutura cônscia das linhas finais da página no codex original da Escritura pode ter uma relação direta com seu significado mais oculto, aquele buscado por judeus & católicos, escritores & teólogos. & o fato de os editores modernos evitarem tal recurso nos livros comerciais escamoteia um interesse maligno por esconder a verdade da massa. Isto nos remonta, como é de se supor, à Maçonaria, à Opus Dei, ao Dan Brown e a Dom Paulo Evaristo Arns.

Corrobora com esta leitura o item f do levantamento feito por Jorge Luís Borges do espólio de Pierre Menard (Ficciones, 1941).

Mas estas revelações não são dignas de veicularem num blog. A pós-modernidade tirou a credibilidade da informação, e com isto nossa capacidade de discernir a verdade da mentira, posto que a própria noção de verdade se perdeu, destoante do espírito do objeto de nossa análise, o incunábulo do século XV.

Se alguém encontrar a edição de Gutenberg num sebo por aí, me avise. Preciso verificar a informação na fonte, in loco.